Algo precisa ser feito.

Há cerca de dez dias fui levar a Ricota para vacinar e o taxista estava assistindo a um Dvd do Zeca Pagodinho. Não é bem meu estilo de música, mas como estava ali, fui obrigada a escutar. Por curiosidade, fiquei lendo as legendas e saí do carro com o refrão da música "Alto lá" em minha cabeça. Natural. O que não é natural é estar há dez dias com o mesmo trecho batucando em meu cérebro.
Aconteceu algo semelhante quando voltei para Porto Alegre e passei quase um mês (é sério), com uma seleção de quatro trechos de música do Roupa Nova alternando-se em minha mente. Devo ter algum problema.
As músicas do tal Dvd contam sempre a mesma história. Ela fez milhares de promessas de amor eterno, iludiu o pobre cara e depois o abandonou. Mas a música em questão fala de um momento pós-separação. Peço lincença aos meus leitores para transcrever o trecho que me tortura, na esperança de que, grudado na tela, ele saia da minha cabeça:
"Eu soube que você anda falando que eu vivo implorando pra voltar pro nosso lar. Alto lá! Guarde essa língua na boca, sua verdade é tão pouca, como pode ter razão? Se foi você quem me pediu perdão. Se foi vocêê quem me pediu perdão" Neste momento, a voz do Zeca Pagodinho, em minha mente, avisa: "Eu soube!", naquele tom sambista para que o trecho seja reprisado. Ad infinitum. Argh!!!!
Me lembrei, porém, de um texto de Josephine ButterFly e o caçei nos arquivos do Diário de um Lunático. Não costumava gostar do que ela escrevia na época em que escrevia, agora, lendo nos arquivos textos dos quais nem me lembrava, a achei ligeiramente divertida.
Nada que se compare com Edmund, obviamente, mas aos poucos vou simpatizando com a moça, principalmente por ela ter inventado o termo ideal para esse tipo de música: Glue Music.
Não existe outro nome que defina de forma tão perfeita a adesividade desse tipo de canção.
E o fenômeno tem se repetido mais seguidamente comigo. Talvez seja um teste de paciência, talvez seja uma espécie de arma biológica param e auto-destruir. Peço licença (novamente) aos meus leitores para colar o texto que copiei do Diário, que complementa este em suas considerações e prefiro colar aqui a copiar com outras palavras (porque isso é feio, feio, feio):
"Há dias estou com uma música na cabeça. Na verdade nem é uma música propriamente dita, são quatro acordes de uma composição de Beethoven. É, que droga, o troço colou na minha cabeça e não consigo tirar. Sempre que consigo colocar outra coisa no lugar, sem que eu perceba os acordes acabam voltando.
Estou certa de que essa repetitividade acaba por estressar o cérebro e causa alguma espécie de fadiga crônica que faz com que boa parte dos neurônios perca sua função.
Particularmente nunca consigo ficar sem trilha sonora em minha mente, o tempo inteiro tenho uma música na cabeça, mas sempre varia, nunca aconteceu de ficar uma semana com a mesma música na cabeça, muito menos com apenas quatro acordes da dita-cuja, repetindo-se à exaustão, como em uma sessão de tortura nazista.
Não sei quem grudou Beethoven em meu córtex, nem mesmo sabia que Beethoven era assim tão colável. Sabia que coisas como a Kelly Key, É o Tchan, Bonde do Tigrão e outras anomalias fazem músicas do tipo "adesivo", algo que chamarei de "Glue-Music", mas jamais imaginei tal coisa do sempre tão erudito Bee (Ok, desculpe a initmidade apicutural, posso Chamá-lo de Thoven ou, quem sabe, de Lud).
Estou exausta, cansada mesmo, a tal melodia repetitiva está levando meus nervos ao completo esfrangalhamento, preciso, urgentemente, de algo que retire para sempre os tais acordes de meus ouvidos cerebrais. Quem sabe Vivaldi ou Chopin possam me ajudar....sei não, talvez eles possam piorar, doando mais uns dois acordes cada um, completamente dissonantes do resquício de Beethoven que ouço dentro de minha caixa craniana.
PRECISO mandar Beethoven calar-se, se Edmund reclamava dos sons que ele escuta em silêncio, estou aqui reclamando das músicas que não escuto, mas que ouço em minha mente.....aaaaaaaaaarrrrgghhhh!!!! Isto é, no mínimo, angustiante.
Josephine ButterFly"

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