sexta-feira, 12 de agosto de 2005

Joãozinho e Maria

Da outra vez que vim a Campo Grande, mês passado, havia uma ninhada, talvez uns quatro ou cinco gatinhos, no terreno ao lado, abandonados. Deviam ter um mês e pouquinho, tentei pegar um deles, mas ele correu para o meio da rua e fiquei com medo de me aproximar depois e causar um acidente.

O mato estava alto e os gatinhos viviam escondidos, não tinha jeito de pegá-los. Nunca vimos a mãe, acho que eles foram abandonados sozinhos por alguma pessoa irresponsável que não sabe que existe castração e doação.

Logo que cheguei aqui, desta vez, os encontrei novamente, mas não pude contar quantos eram. Um dia chegamos em casa e o terreno estava "limpo". Ao nos aproximarmos, percebemos que todo o mato havia sido queimado. Na hora pensei nos gatinhos e fiquei apavorada, mas não consegui encontrá-los.

No dia seguinte eu os vi em uma casa abandonada, bem em frente à casa da minha mãe, sujinhos de fumaça, mas havia apenas dois: um preto-e-branco e uma tricolor. Comecei a levar ração e água para eles todos os dias, na esperança de evitar que eles atravessem a rua, já que são minúsculos e assustados.

Tem dado certo. Ontem apareceu mais uma gata para "filar" ração: uma rajada grávida. Morro de preocupação porque seus filhotes vão nascer na rua e a situação se repetirá. Tentei pegar o Jãozinho e a Maria (nomes que dei à dupla), mas eles são ariscos demais e não consigo chegar muito perto sem que haja uma situação de risco para eles.

Não sei como vai ser depois que eu for embora, mas acho que dá para deixar meu primo encarregado de continuar alimentando os bichinhos, ou minha mãe mesmo.

Mas é absurdo saber que, enquanto esses bichinhos crescem, se reproduzem e sofrem diariamente, um projeto de lei que garantiria esterilização por conta do governo, acabando com a máquina de extermínio dos CCZs foi engavetado, impedido de ser votado em cima da hora, pelo Senador Delcídio do Amaral, que agora acumula votos de gays que o comparam a Antônio Fagundes e exibe sua escova diária na CPI.

Fazer uma campanha de conscientização sobre a castração, recolher animais de rua, esterilizá-los para evitar que se reproduzam e fazer com que as pessoas entendam que castração não é crueldade, mas um ato de amor, evitaria que Joãozinhos e Marias inocentes perdessem sua infância se desviando de carros acelerados, cachorros assassinos e pessoas mal-intencionadas.

Esses dias soube de uns três casos de pessoas que, quando suas gatas deram cria, assassinaram os filhotes antes mesmo de que eles abrissem os olhos ou pudessem se defender, simplesmente por "não saber o que fariam com eles depois". Quando é uma mulher que faz isso, não querendo ter o filho espera que ele nasça para matá-lo e jogá-lo no lixo todo mundo fica chocado, mas o princípio é o mesmo. O choque também deveria ser.

Difícil enxergar que se vive em um mundo desse, convivendo com gente desse tipo, que não tem o menor respeito pela vida, de nenhuma das formas que ela se apresenta, e é capaz de achar que isso é assunto secundário...



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Comentários (o haloscan apaga os comentários após quatro meses e eu já perdi os dos posts anteriores, por isso prefiro colar aqui, antes que eles desapareçam)

Oi! Não sei como funciona o blog, então resolvi te avisar aqui no teu último post, que comentei lá no texto do Tangos, ok? Vê lá!
Beijão! :*****


Gravatar hummm tadinhos, tomar que seu primo consiga alguém que queira tomar conta dos gatinhos.
bjs


Gravatar Não sei como expressar minha indignação por tal crueldade. Ainda bem q existem pessoas q se importam como vc.
bj!


Gravatar O ser humano continua sendo o mais cruel dos animais.
Me dói ler, ouvir estas histórias.