Da dificuldade de sair de cima do computador
Demorei para trocar a máquina de escrever pelo computador. Na verdade só comecei a lidar com esta máquina quando fui obrigada, na faculdade. Se soubesse o poder viciante deste troço, talvez jamais tivesse trocado. Ou trocaria da mesma forma, afinal de contas, se não fosse pelo computador não teria hoje meu marido, meus gatos e amigos tão queridos. Também não seria tão facilmente rastreável.
Ultimamente, porém, coloquei na cabeça que deveria ficar um pouco mais afastada do computador do que o usual. De uma certa forma não era uma missão lá muito impossível, porque eu estava com um montão de coisas para fazer e o computador, ou melhor, a internet só me roubava precioso tempo. Mas nada é assim tão fácil de se solucionar.
Nos primeiros dias, eu me sentia uma viciada com síndrome de abstinência, acho que até tremer, tremi. Já fazia algum tempo que não acessava a net direto, mas só o fato de saber que eu tinha decidido me afastar um pouco da Net fez com que meu cérebro se desesperasse com a possibilidade. Aos poucos, porém, consegui até ligar o computador sem precisar, obrigatoriamente, abrir algum browser ou o msn. Foi o auge do auto-controle.
Coloquei tudo a perder quando, desavisadamente, resolvi abrir o orkut e dar uma olhada em algumas comunidades. Como todo mundo sabe, uma comunidade chama a outra, um perfil chama o outro e quando a gente vê, lá se foram duas, três horas, direto para a lata do lixo virtual. Mas foi apenas um dia de recaída. Atualmente faço apenas coisas úteis na internet :) Sim, eu considero postar no blog uma delas. E me divirto com todas as coisas úteis que faço, diga-se de passagem. Mas que às vezes dá vontade de ficar passeando sem rumo, horas e horas, gastando tempo precioso navegando na net ou papeando no msn, não vou negar que dá.
Só que eu sofro do mal de adultos urbanos: me sinto culpada por todo e qualquer tempo gasto fora do cronograma. Como eu cronograma sempre é muito flexível, não me sinto culpada com muita frequência, adoto para a vida a mesma filosofia que tenho em relação à comida: posso comer de tudo, mas não em quantidade exagerada, assim como posso viver de tudo, mas não em quantidade exagerada. Se eu comer mais chocolate do que o necessário para suprir minha vontade de comer chocolate, por exemplo, não vai ter a menor graça. Não vou sentir o sabor do chocolate excedente e provavelmente ficarei empanturrada e passarei mal, terei gasto chocolate à toa. Se eu passar horas excessivas na internet vou ficar com dor de cabeça, não vou aproveitar o suficiente e terei gasto tempo à toa.
Claro que a gente sabe que existem alimentos que devem passar bem longe do nosso cardápio, assim como existem comportamentos que devem passar bem longe da nossa vida e do nosso dia-a-dia. Ou, como diz o apóstolo Paulo, ?Tudo me é lícito, mas nem tudo convém. Tudo me é lícito, mas não me deixarei dominar por coisa alguma? ( I Coríntios 6,12 ). Nem pela internet, queridos, nem pela internet.
Então, se estou aqui, é porque tirei um tempinho para isso, mesmo porque gosto tanto de navegar na net e escrever no blog quanto de chocolate. Costumava comer uma barra por dia ou uma barra a cada dois dias. Há uma semana comprei a primeira barra de chocolate do mês, comi dois quadradinhos, guardei na gaveta e esqueci. Acabo de lembrar, comer mais dois quadradinhos e ficar satisfeita. Só não posso deixar passar o prazo de validade, ou então é desperdício da mesma forma. Tudo é questão de organização e já há algum tempo eu decidi deixar de ser uma pessoa desorganizada. Aos poucos está dando certo :)
Ps: A sessão de fotos "Tiggy e o Lampertop", pode ser vista na minha página do Flickr, é só clicar aqui.

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