Escavações arqueológicas parte I
Mexendo em coisas pré-históricas aqui na casa da minha mãe, encontrei o seguinte texto, escrito por mim em 1995, aos 15 anos. Eu tinha a nítida sensação de ser uma anciã de noventa e sete anos...risos...e nem posso rir tanto, não, porque de vez em quando eu ainda me sinto assim... mas hoje em dia não carrego mais esse peso todo, nem vejo o tempo de forma tão negativa. Me acostumei à idéia e resolvi aprender a lidar com ela.
Coisa boa ver que chegando aos trinta estou mais alegre, leve e jovem do que quando tinha quinze :-) E menos dramática, também. Cansei de sofrer, só quero paz e tranqüilidade. Quando decidi isso, não é que o drama todo desapareceu? Copio, então, com as estranhas divisões de versos, pontuação e conjugações de verbos que constam no original. Bem, divirtam-se:
O TEMPO
Chegou o tempo...
Ah, tempo! Por que chegaste?
Poderias ter demorado.
Tu passas para chegar,
mas por que não ficas onde dantes estavas?
Ah, tempo, voaste tanto!
Antes eu não sabia que tempo tinha asas, mas agora eu sei.
É difícil de explicar, tempo,
mas eu preferia que andasses em passos leves e lentos de tartaruga.
Ah, tempo, não passes mais assim, não chegues mais tão depressa.
Ah, tempo...
Além de tudo ainda deixas tua marca nas pessoas,
vejo tua marca nos rostos, nas mentes e nos corações das pessoas.
Chegue, tempo, mas com cuidado.
Tu não tens freio? Quisera Deus que tivesses...
Alguém disse que o tempo é como o vento,
antes eu achava que o tempo era como a brisa.
Agora eu acho que te assemelhas a um furacão:
Vai girando rápido, sem se preocupar com nada, levando pessoas, destruindo lugares...
Vai, tempo, passa, mas com calma...
Vai, vento, voa, carrega contigo minha saudade para longe.
Chegou o tempo
e já é tarde...
Vanessa Stella, 1995

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